Na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, os cupinzeiros se destacam como verdadeiras maravilhas da engenharia natural. Essas estruturas de terra, construídas por pequenos insetos, conseguem manter uma temperatura interna constante de 23 °C, mesmo diante das drásticas variações térmicas do ambiente externo, que podem oscilar entre 11 °C à noite e mais de 30 °C durante o dia.
O Funcionamento dos Cupinzeiros
O segredo para a eficácia dos cupinzeiros está em sua estrutura interna e no processo de convecção. O calor gerado pela atividade metabólica dos insetos e pela decomposição de matéria orgânica aquece o ar dentro do ninho, que, por ser menos denso, sobe para o topo da torre. Essa movimentação cria uma pressão negativa na base, permitindo a entrada de ar fresco pelas microgalerias.
O Papel do Sensor Tamanduíno
Para entender melhor esses fenômenos, pesquisadores brasileiros desenvolveram o sensor Tamanduíno, um dispositivo de baixo custo que mapeia as variações térmicas nas estruturas. Com um investimento de apenas R$ 150, o equipamento tem mostrado que a eficiência dos cupinzeiros em atenuar os picos de temperatura é superior à de muitas construções convencionais.
Inovação na Arquitetura Sustentável
As lições extraídas dos cupinzeiros estão orientando novos projetos arquitetônicos que visam a eficiência energética. A biomimética, que busca inspiração na natureza, está sendo aplicada em edifícios que utilizam princípios semelhantes para reduzir o uso de energia elétrica em até 90%, eliminando a dependência de sistemas tradicionais de climatização.
Refúgios Ecológicos
Além de servirem como abrigos para os próprios cupins, os ninho oferecem condições ideais para diversas outras espécies do Cerrado. Répteis e mamíferos escavadores encontram nos cupinzeiros um refúgio contra a seca, aproveitando as temperaturas amenas e a umidade relativa que esses montículos proporcionam.

