sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Pesquisa investiga relação entre tabaco aquecido e esclerose múltipla

Um estudo conduzido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) analisou os efeitos da nicotina no sistema imunológico, utilizando experimentos com animais e células humanas. Os resultados sugerem que tanto o cigarro convencional quanto os produtos de tabaco aquecido podem alterar a função das células do sistema imunológico, levantando preocupações sobre o uso destes últimos.

Os riscos do tabaco aquecido

Os cigarros tradicionais liberam nicotina através da combustão, resultando em fumaça tóxica que prejudica a saúde. Por outro lado, dispositivos como cigarros eletrônicos produzem vapor a partir de líquidos que podem ou não conter nicotina. O uso excessivo desses dispositivos já está ligado a sérios danos pulmonares. Os produtos de tabaco aquecido, por sua vez, funcionam com tecnologia que aquece o tabaco a temperaturas inferiores à combustão, sendo frequentemente promovidos como alternativas menos nocivas, apesar da escassez de dados científicos sobre seus efeitos.

Tabagismo e esclerose múltipla

Sob a supervisão da professora Sandra Farsky, a pesquisa de doutorado do biomédico Pablo Scharf investigou a modulação do sistema neuroimune em resposta ao tabaco. O estudo anterior de Scharf já havia indicado que o tabaco aquecido estava associado a efeitos imunotóxicos, mas a relação com a esclerose múltipla, uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central, ainda era incerta.

Resultados dos experimentos

Os animais foram divididos em dois grupos: um exposto ao cigarro convencional e outro ao tabaco aquecido. Os resultados mostraram que, enquanto o cigarro tradicional contribuía para a progressão da doença, o tabaco aquecido também apresentava efeitos prejudiciais, interferindo na resposta imunológica dos animais. Scharf sugere que a combinação de predisposição genética e exposição a produtos de tabaco aquecido pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da esclerose múltipla em jovens adultos.

Metodologia e experimentação

A pesquisa incluiu análises in vitro com células de pacientes, modelos animais e abordagens alternativas, como o uso do verme microscópico C. elegans. Este modelo permite estudar respostas neuroimunes de forma acessível e eficaz. Os experimentos revelaram que a exposição à nicotina alterou a resposta imunológica do verme, mostrando variações dependendo do patógeno presente.

Implicações para a saúde pública

Os achados da pesquisa ressaltam a necessidade de um maior entendimento sobre os produtos de tabaco aquecido e seus impactos na saúde, especialmente em populações mais jovens. A relação entre esses produtos e doenças autoimunes como a esclerose múltipla deve ser objeto de atenção contínua por parte da comunidade científica e das autoridades de saúde.

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