A incorporação de atividades físicas simples no cotidiano pode trazer benefícios significativos para a saúde e a qualidade de vida. Trocar o elevador pelas escadas, optar por bicicletas em vez de carros e caminhar até o ponto de ônibus são algumas das estratégias que podem aumentar a atividade física diária.
A Diferença entre Atividade Física e Exercício
De acordo com o professor Júlio Serrão, da Escola de Educação Física e Esporte, a atividade física abrange qualquer movimento corporal, sendo sempre superior à inatividade. Por outro lado, o exercício físico é uma prática estruturada e sistemática, como treinos de futebol ou musculação. Uma vida ativa requer a combinação de ambas as modalidades, pois o simples exercício não é suficiente sem uma rotina diária de movimentação.
Diretrizes da Organização Mundial da Saúde
A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos realizem entre 150 a 300 minutos de atividade física moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade intensa por semana. No entanto, dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel) indicam que, em 2024, 33,3% dos adultos brasileiros não atingiam esses padrões, uma queda em relação a 48,7% em 2013.
Desigualdades na Prática de Atividade Física
Os dados da Vigitel também revelam que as mulheres são as mais afetadas pela inatividade. Em 2024, 39,7% das mulheres apresentaram prática insuficiente de atividades físicas, em contraste com 25,7% dos homens. Segundo a pesquisadora Andreia Alexandra Machado Miranda, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP, as mulheres frequentemente enfrentam múltiplas responsabilidades, o que limita seu tempo para o autocuidado e lazer.
A Pesquisa sobre Desigualdades Sociais
Uma pesquisa publicada no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity analisou fatores sociais que influenciam a prática de atividade física. Os resultados mostraram que, ao longo de dez anos, a atividade ao ar livre aumentou, mas as desigualdades também se intensificaram. Mulheres de grupos raciais minoritários e com menor escolaridade foram identificadas como as menos ativas.
A Necessidade de Políticas Públicas
A pesquisa destaca a urgência de políticas públicas que visem reduzir desigualdades sociais e facilitar o acesso a espaços que incentivem a prática de atividades físicas. A interseccionalidade, conceito abordado no estudo, sugere que diferentes formas de desigualdade podem se somar, resultando em maior vulnerabilidade para determinados grupos.
Incorporando Atividades Físicas na Rotina
A inclusão de atividades físicas na rotina diária não é uma tarefa fácil, conforme indicado pela pesquisa de Andreia. Contudo, é essencial entender que a atividade física não precisa ser restrita a academias ou longas sessões de treino. Pequenas mudanças, como caminhar parte do trajeto diário, utilizar escadas ou aproveitar espaços públicos, podem contribuir significativamente para uma vida mais ativa.

